domingo, 6 de abril de 2008

algum lugar

Não subestime minha inteligência. Sei entender mesmo as palavras não ditas. Ultimamente umas das coisas que mais tenho tentado aprender é a ser humilde. Associar mais facilmente os não's que a vida me dá. Tentando ser mais paciente. As vezes o meu tempo não é o tempo dos outros. E as vezes o tempo dos outros não é o meu. As vezes nem todas as pessoas acham que se não for agora não vai ser nunca mais. Esse desespero não está contido em todo mundo. E exercitar a paciência pra quem nunca soube esperar é doloroso. Quase uma auto-flagelação.
Quase nunca consigo. Devo admitir. Mas, como sempre, tento pelo simples hábito de tentar. Aliás, isso deve contar pontos em algum lugar. Sempre fui muito a favor do "o mais importante é competir" em todos os sentidos. Me machuquei sériamente algumas vezes. Mas na maioria delas nada que não tenha virado uma história engraçada quando passa. E esse gosto pela tentativa não provém do fato de ser otimista. Lutadora, nem nada parecido. É proveniente da teimosia. E do simples fato de que pra minha vida eu acho que pra tudo se tem um jeito. E nada no mundo pode ser mais importante do que ser feliz. Se a felicidade for pra sempre, vale a pena. Se for por 10 minutos, também. Se não der certo? Beleza, quase nunca dá mesmo. Nada que cerveja e uma boa conversa sobre nada não resolva. O que fazer com o vazio que vem depois? Bom, isso a gente tem que é lidar sozinha. O que também acho que conta alguns pontos, em algum lugar. Em algum lugar isso deve contar algo.
Recentemente lí um texto, de uma blogueira também, falando que a frase "Sinto sua falta" é o maior dos elogios. Que coisa mais linda pra se dizer não há. Não sei se faço falta pra alguém. Mas sei o quanto dói quando tenho que dizer isso a alguém. Então, a gente continua, sem saber se fazemos falta a alguém. Se em algum dia a gente conseguiu fazer com que a lembrança seja tão forte a ponto de alguém te dizer o quanto sentiu sua falta. Mas enquanto isso, a gente vai andando. Continuando a esperar por esses pequenos gestos. O que também deve contar pontos em algum lugar.

Um comentário:

Nathalia disse...

"O ser humano é um ser em constante trânsito. Um trânsito entre as extremidades de seu abismo...
Quando somos pequenos e não conscientes dos tamanhos das coisas, estas nos parece bem maiores. A medida que envelhecemos e nosso corpo cresce, as coisas a volta tornam-se menores. Aí está o princípio psicologico do que é este abismo existencial.
A mente, nas alturas do corpo, deseja constantemente estar no chão, onde não há a eminencia da queda - e, portanto inspira-lhe estranha segurança - Mas a única maneira de se chegar neste é caindo, não se pode descer lento e levemente.
E após a queda, quando se está, realmente, ao pé do abismo, não encontra-se mais os vestígios da ignorância dos tamanhos que se tem na infância passada, pois já se conhece as reais dimensões, tudo que nos resta é a sensação da queda...
Assim, não é de se estranhar que a medida que, durante a existencia, sentimos medo de cair ajamos como se já estivessemos caídos e, portanto, numa tentativa de "pular" o estágio da queda. E com isso, vez ou outra exageramos...
O homem, que teme demais o seu entorno, tende a dar um tamanho maior ao que, na verdade, sabe que possui dimensões menores, pois há uma diferença entre imaginar-se no fundo do abhismo e estar realmente nele.
Em outras palavras: Crescer dói de uma maneira necessária, insubstituível e consequente. Buscar uma dor aparente nada tem a ver com amadurecer!"