quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Vazio

A internet é uma ferramenta que possibilita uma infinidade de informações, opções e comunicações, é verdade. Podemos estar em qualquer lugar do mundo e a distância não consegue fazer com que sintamos saudade.
No entanto, acredito que a solidão é o mal do século e é também o que move a internet hoje – e sempre. Solidão é a única razão pela qual os Orkuts, Facebooks e Twitters se popularizam cada vez mais.
Queremos amigos, queremos mensagens fofas, queremos depoimentos que dizem pro resto do mundo o quanto somos lindos, bem-humorados, divertidos, autênticos e bem amados. Queremos mostrar fotos das viagens, queremos mostrar fotos com trinta amigos diferentes, queremos mostrar foto do namorado, queremos mostrar fotos da nova melhor amiga de infância que acabamos de conhecer, queremos que o mundo saiba que somos amados. Queremos admiração. Queremos falar, o tempo todo, que temos amigos, amor e dinheiro. Mostramos (ou, pelo menos, tentamos) pro mundo que somos a estampa ideal, quando, na maioria das vezes, a viagem foi financiada em mil vezes, os trinta amigos da foto só são amigos na hora da foto e não são pessoas que se importam de verdade no dia-a-dia. E os novos amores se vão a cada semana.

Queremos ter mil amigos no Orkut, mas não achamos companhia pra assistir um filme no cinema quarta-feira à noite. Queremos nos comunicar com todo mundo e “reativar” amizade com pessoas com as quais mal falávamos “oi” dois anos atrás. Damos bom-dia no Twitter (um negócio onde se fala sozinho) e não damos bom-dia pro vizinho. Adicionamos Deus e o mundo no MSN pra termos companhia e não perder o contato com aquela pessoa tão querida e amada com a qual trocaremos três frases ao longo do ano. Pessoas verdes online com as quais mantemos relações virtuais 24 horas por dia. Tudo fruto da nossa carência, tão ruim quanto essas relações virtuais infundadas e, em alguns casos, promiscuas.
Precisamos nos afirmar pro mundo e pra nós mesmos. Precisamos nos encaixar nos padrões atuais de pessoa bem-sucedida e amada pra sermos aceitos.
Mas o vazio está lá... Nas tardes de domingo. Nas noites de terça-feira. Nas compras cujo encantamento acaba assim que o produto chega à nossa casa...
Esperamos encontrar a felicidade no Macbook novo, na tv a cabo desbloqueada com todos os paper-views, no celular com mil funções que não toca, no apartamento com mobílias novas, nos anti-rugas, nos hidratantes perfumados, nos sapatos cor do verão, nos shampoos caros, nos tratamentos de pele.
Compramos pra ter companhia. Compramos pra preencher um vazio interno. O mesmo vazio que tentamos preencher com amigos virtuais, relacionamentos virtuais e mentiras virtuais. Tapamos o sol com a peneira. Tapamos nossos buracos com relacionamentos que não existem. Despistamos nossa carência aguardando um produto chegar. Nos tornamos tão superficiais quanto nossos relacionamentos virtuais.
E continuamos nos sentindo vazios...

3 comentários:

Denise Escaramai disse...

Me vi sendo descrita na sua definição de perfil. Acho que temos uma configuração semelhante, possivelmente na astrologia.
Gostei muito do seu modo de escrever; claro e preciso.
Legal! pretendo ler com calma as outras postagens. Até.

ViVi disse...

A mais verdade ja escrita:D ameii!!

Anônimo disse...
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