quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Até aonde vai o coração da gente?

Nunca consegui chegar a um resposta convicente. Mesmo sabendo que temos que dominar nossas ações, que não devemos ser escravos de nossos próprios sentimentos, sempre me pego pensando até aonde meu coração iria... não necessariamente por alguém, mas por paixão, por qualquer coisa. Acho bonito isso de pessoas que se sacrificam por algo. Por um ideal. Não por pessoas. Não que elas não mereçam - algumas de fato não merecem - mas porque não compreendo porque outrem é mais importante que você mesmo. Já amei demasiadamente e também fui amada. Muito amada. E, claro, não existe sensação melhor do que sentir-se amada. Não existe. Sempre me entreguei em qualquer relacionamento meia boca que me aparecia com a esperança de que agora vai, agora eu vou voltar a viver. A minha vontade de amar, geralmente, superava o amor em si.

Eu acreditava que minha vida precisava de paixão, não conseguia ficar 3 meses solteira sem arrumar um rolo, ou alguém pra sonhar a noite. A possibilidade de me imaginar sozinha me dava calafrios e eu não queria passar por aquilo, precisava ter alguém em quem me apoiar. Precisava de alguém pra me carregar.

Depois de alguns tropeços e de ver que as coisas nem sempre são como deveriam ser, pude compreender que a vida é muito mais que isso. Muito mais do que um cara pra você sair. Muito mais do que uma compania. Muito mais do que o desespero de tentar se sentir amada.Pra mim namorado era questão de auto afirmação. Eu tenho um namorado, logo, sou aceita. Não. Muita gente leva isso de namorar como uma questão de obrigatoriedade e saem a caça - literalmente - de um esteriotipo que completem seus sonhos e suas carencias. O mundo anda de fato sentimentalmente anestesiado e as relações tendem a durar uma noite. Mas, isso não justifica que temos que ver em qualquer zé mané que aparece um principe, e tentar fazer dele o pai de nossos filhos. Sei também que existem dias cinzas, dias dos namorados, dias que só servem pra esfregar na sua cara que você é uma fracassada porque não tem um namorado.Mas também existem dias em que você sai com aquele cara que sempre quis, sai por sair. Sai por vontade e não por amor. Não precisa pensar o que ele vai querer com você. Porque ambos já fizeram o que queriam. Podem dizer que isso é vazio, que não preenche a alma e que no fundo somos um bando de carentes tentando arrumar desculpa para a solidão que nos assola. Eu chamo de auto conhecimento. De se conhecer o suficiente pra saber que você pode sim ter um namorado, mas que acima de tudo pode ou não querer isso.É gostar da sua propria compania acima de tudo. Saber se curtir e respeitar sua vontade. E nunca, nunca confundir vontade de amar com amor de verdade. Um é decorrente do outro, mas não é o outro. São indepentendes.Assim como todos nós. Meu coração se apaixona e desapaixona com uma velocidade incrivel - estamos falando de paixão e não de amor -, e guardo marcas de todas as minhas paixões pra sempre que duraram um mês. E cuido para que elas estejam sempre aqui. Porque eu sou fruto do que elas me causaram e vão continuar causando. Me apaixonei por alguns... outros não, mas nunca, nunca fiz economia de amor. Já me disseram que eu sou fria, logo eu, mas né... Moralismo que só servem para acusar... nunca para os acusadores. A maioria das pessoas precisa de justificativa para seus atos e a minha sempre foi a paixão, que na minha opinião, legitima qualquer gesto.

Porque já dizia um rapaz muito inteligente... Que seja eterno enquanto dure.

Pra sempre. Ou até amanhã.

Um comentário:

katia disse...

Adorei seu texto, muito realista na verdade. E faz a gente refletir muito sobre que tipo de amor oupaixao queremos pra gente e sem duvida nenhuma também faz nos questionar aquela velha frase: Somos responsáveis por tudo aquilo que cativamos (obviamente as consequencias tb). Voce está de parabéns escreve muito bem.Estou orgulhosa de voce.bjs te amo